“Mas que se dane tudo então. Já me machuquei tanto, que escrever esse texto imbecil é quase como pegar uma agulha fervendo e enfiar naqueles machucados fodidos da infância. Eu só queria dizer o quanto eu lamento, e lamento mesmo, lamento por não ser hipócrita o suficiente e te olhar como se nada tivesse acontecido, e pior ainda, te agradecer por ter entrado na minha vida. Mas não, não cara, não vou mais fazer isso, porque… Porque não dá mais pra fazer isso, não pra agir como se nada tivesse acontecido, porque aconteceu muita coisa e eu quero gritar pra todo mundo o quanto tu foi um canalha e o quanto me magoou, mas eu simplesmente não consigo nem falar, nem gritar, nem chorar, eu só consigo pensar que um pedaço do meu coração foi arrancado e que agora eu vou ter que viver o resto da minha vida sem esse pedaço, e que… E que não tem mais você pra colar esse pedaço no lugar. Na verdade, não tem mais você pra nada, porque agora acabou, hoje foi o fim e hoje me dói tanto que eu juro que preferiria morrer agora mesmo do que ter que aguentar o amanhã cheio de arrependimento e lembranças que não deveriam existir, mas existem e me fazem tão mal, mas tão mal, que eu quero esquecer tudo de uma vez, até o meu nome, só pra tentar ser feliz de novo. Olha, eu só queria que nada disso tivesse acontecido, acredita em mim, eu realmente lamento por tudo, principalmente por acabar assim, justo quando era pra dar certo e a gente ia finalmente se amar de verdade. Mas não deu certo, não ia dar certo, e sabe por que? Porque você me magoou de um jeito tão terrível, que só o fato de eu pensar em você me embrulha o estômago e dá vontade de me atirar de algum prédio qualquer só pra acabar com tudo isso logo e não ter que passar por um longo (e quase impossível) período de superação. Porque eu me lembro, cara, eu me lembro da gente falando que ia casar e que iríamos ter tantos filhos e morar em tal casa. Eu me lembro quando você jurou nunca me magoar e sempre cuidar de mim. Por Deus, você jurou, tá legal? Era pra ter cumprido, não importa como, eu só queria que você estivesse feito tudo que disse que faria e ainda estivesse aqui pra me ver dando aqueles sorrisos bobos todas as vezes que você falava uma idiotice qualquer. Só queria que você visse uma última vez, última mesmo, esse sorriso aqui, que eu tô dando, quase irônico, porém mostra o quanto eu me prendi a você. E eu não sei, eu não sei como lidar com tudo isso, como seguir em frente, se é que existe uma maneira de seguir pra algum lugar sem você como meu apoio principal. Mas dói, sabia? Dói te deixar embora e saber que dessa vez é um caminho sem volta e que daqui a alguns dias a gente nem vai mais se falar, e daqui a uns meses a gente vai esquecer tudo que fomos um na vida do outro. Só que eu não vou esquecer, eu não vou ser capaz de esquecer tudo, eu como sempre, a fraca e desolada garotinha, vou ficar remoendo tudo até achar o erro, embora eu saiba exatamente qual foi o erro, eu vou querer perder o meu tempo remoendo você inteirinho, até não sobrar mais nada e eu ter que arrumar outro jeito de me aproximar de você sem que você perceba o quanto eu ainda te amo, e o quanto está sendo um erro eu te tirar da minha vida. Porque você sabe, ah, com certeza você sabe o quanto tá sendo difícil te dizer adeus e deixar tudo pra trás. Logo eu, que sempre disse que era coisa demais pra jogar fora, estou aqui jogando tudo fora e te mandando embora. Eu só quero que você saiba que mesmo de longe, mesmo te odiando cada vez mais, você marcou a minha vida de um jeito que ninguém nunca será capaz de marcar. E agora, tô te deixando ir embora, te deixando seguir em frente, embora eu não tenha certeza se isso é o certo a fazer, eu só sei que esse sofrimento, essa dor, tudo isso, é muita coisa pra nós dois, e eu sei que nós dois merecemos coisa melhor.”
“Quem te ensinou sobre o amor? Tudo bem, eu sei que amor não é aquilo que vem no dicionário, não é apenas definição de palavra, mas você ainda não entendeu que o amor é mais do que os livros empregam, do que os poemas falam. Eu assumo que não sei tudo sobre o amor, mas não faço que nem você, que assume saber tudo sobre ele, que acha que sabe tudo e na verdade não sabe. Éramos um só, se lembra? Acho que por essas alturas não deve se lembrar direito, mas éramos quase que apenas um, tínhamos tudo para darmos certo, tínhamos o amor, tínhamos a vontade, o tesão e os sorrisos. Mas tudo foi mudando, perdendo o sabor doce e se tornando amargo, talvez tenhamos errado demais um com o outro, talvez tenhamos sido demais um para o outro. Mas talvez tenha sido que apenas um amou, apenas eu amei e continuo amando, porque eles não colocaram isso no Aurélio e em nenhum dos outros dicionários o mais importante sobre o amor: ele não acaba. E o seu amor ou aquele sentimento que você dizia sentir por mim acabou tem umas três semanas desde quando você resolveu sair da minha vida sem ao menos deixar um bilhete na geladeira como fazia nos sábados de manhã. Mas eu, claro que deveria ser eu, continuo lhe amando, lhe querendo bem, bem ao meu lado como acho (tenho certeza) que deve ser, porque ninguém saberá lhe cuidar como eu, mesmo sendo assim errante; continuo amando e isso agora machuca.
E às vezes penso que seria melhor não ter lhe conhecido, não ter feitos todos aqueles planos na poltrona comprada por mim e de cor escolhida por você, eu ainda não consigo olha para aquela poltrona sem me lembrar de você ali agarrado em mim, massageando vez ou outra meus ombros e me fazendo sentir o doce do amor, não consigo olha para a poltrona e não ver você bem ali, com a regata branca que lhe dei no natal; não consigo não ver ela e não chorar e não me lembrar e não sentir doer. Mas seria melhor não ter conhecido você, alguém que não sabe o que é amar. Evitaria essas contas exorbitantes que chegam sem parar da farmácia (andei comprando alguns lenços, remédios para dormir e para dor muscular, já que falaram que o coração é um músculo, resolvi tentar). Mas ao mesmo tempo não me arrependo de ter lhe conhecido e se fosse possível faria tudo de novo, compraria a poltrona junto com você, só que dessa vez eu escolheria a cor, iria te ensinar sobre o amor e sobre amar. Quem sabe se tivéssemos uma segunda chance eu não estaria escrevendo um texto sobre a falta que você faz e sim como você me faz feliz, ou melhor, eu não estaria escrevendo, estaria vivendo, vivendo os planos e sonhos, vivendo o amor que você já teria aprendido, como teríamos aprendido se estivéssemos juntos. Porque convenhamos não sabemos nada sobre ele, não sabemos nada sobre nada e é essa a verdade. Não sabemos da vida e do futuro, só sabemos do presente e agora eu estou sem você, com saudade, sentindo meu coração ser amassado pela dor de não lhe ter aqui, pela falta que você faz e a precisão.
Quem Te ensinou sobre o amor ensinou errado. Quem te ensinou sobre amar não disse que não se vai embora sem ao menos dar um explicação, digo, quem lhe ensinou sobre o amor não ensinou que quem ama fica, não vai. Ou, quando vai volta. Então me ame do modo certo, volte e fique, porque quem te ensinou sobre o amor não sabe nada.”
“Foi só piscar o olho
E eu me apaixonei enfim
No meio da fumaça
Ele também gostou de mim
O tempo foi passando
E o nosso amor saiu do chão
E eu fiquei tão grande
E mastiguei meu coração
Dessa vez não tive medo
Mesmo assim não disse “sim”
Percebi o percevejo
E deixei cravado em mim
Só eu sei o que é melhor pra mim
Ás vezes é mais saudável chegar ao “sim”
Chegar ao “sim”
Só eu sei o que é melhor pra mim
Ás vezes é mais saudável chegar ao “sim”
Chegar ao “sim”
No meio da euforia
Aquele alguém me protegia
Mas não foi por acaso
Que o encanto se quebrou
O tempo foi gastando
O que não era pra durar
Como se eu soubesse
Não era amor pra todo dia
Dessa vez eu tive medo
Mesmo assim eu disse “sim”
Percebi o percevejo
E deixei cravado em mim
Só eu sei que foi melhor assim
Ás vezes é mais saudável chegar ao “fim”
Chegar ao “fim”
Só eu sei que foi melhor assim
Ás vezes é mais saudável chegar ao fim
Chegar ao fim
Só eu sei que foi melhor assim
Ás vezes é mais saudável chegar ao fim”
“Mas você vai lembrar de mim. E isso não é uma ameça, é apenas uma constatação de todo aquele tempo que a gente viveu junto e você disse (e disse muitas vezes) que eu era a melhor pessoa do mundo e quem com certeza você lembraria de mim até mesmo quando não quisesse lembrar porque eu te dei lembranças demais, promessas demais. Eu te dei tudo demais e você nunca me deu nada nem de menos. A verdade é que o que pra mim foi eterno, pra você foi temporário feito uma minissérie da globo, com data e hora pra acabar. Tá legal, eu sei que nós dois fizemos tudo errado mas mais errado ainda foi você ir embora e gritar que foda-se o que eu sentia, agora era você, você e você de novo; que tudo bem se eu te amava, só que agora não importava mais e tudo que você mais queria era esquecer tudo que a gente foi, só pra conseguir viver de novo porque eu te suguei a vida e todos os sorrisos que ela podia lhe dar. Eu, logo eu, que ia pra sua casa às 4 da manhã só porque você tava com saudade e não tinha mais ninguém pra te fazer um cafuné e te dar um beijo na boca. Você me chamava, eu ia. Você precisava de mim, eu deixava ser precisada. Eu ia para aqueles almoços de família terrivelmente chatos e tediosos só porque você odiava sair sozinho e queria mostrar a namoradinha gostosa pros primos retardados. Mas eu nunca liguei de ser o seu troféuzinho preferido e facilmente manipulável. Nunca liguei de ter que estar sempre bonita, estar sempre pronta pra ser mostrada aos amigos, a família, até mesmo à alguma ex namorada mais baranga do que eu. Só que você nunca fez um terço disso por mim. Dispensou todos os meus convites para ir na casa dos meus pais, disse que tinha algo melhor pra fazer quando eu te chamei para ir ao enterro da minha avó comigo. Eu troquei tudo que eu tinha por você, eu passei a viver por você, a fazer com que você vivesse bem, mas de repente você diz que eu te roubei a vida, que eu estraguei a sua juventude e que se arrepende daquele maldito dia em que me viu parada encostada perto da sua casa. Eu nunca te impedi de ir embora, sempre disse que tudo bem se tivesse se cansado, mas não, você sempre ficava e dizia o quanto me amava, e como se tudo fizesse parte de um pesadelo você grita e me manda ir embora. Agora, eu estou aqui falando sobre sei lá o quê e lamentando o dia que você foi embora, porque essa é a unica lembrança que você me deu. Mas você, eu tenho certeza, está deitado feito um derrotado em sua cama, lembrando de tudo e com tanta saudade que deve doer o seu peito mas mesmo assim não vem atrás de mim porque acha melhor assim. E… E o pior, é que mesmo sem ter nada pra lembrar, sem ter um pingo de coisa boa vindo de você, eu trocaria toda essa minha felicidade (que não é de fato uma felicidade) pra viver umas merdas de momentos horríveis ao seu lado. É que eu te amo, muito, só isso.”
“Me leve ao motel — Eu disse, sem medo ou vergonha.
Ele se assustou, ele na verdade se sentiu intimidado ou algo do tipo. Acho que é assim com os moleques, eles se intimidam com mulheres. Com mulheres bem resolvidas. No caminho nenhum barulho, ele era só mais um paquera da noite, mas eu queria experimentar um pouco dele e não seria dentro de uma carro, ele queria ali mesmo, dentro do carro banco com estofamento horrível ia acabar me machucando. Ele queria dentro do banheiro da boate, mas eu aprendi que banheiro não dá nenhum conforto e quis ir pra um motel, não levaria pra minha casa um estranho e muito menos iria pra casa de um estranho. Motel, recepcionista, garagem, hidromassagem e espelho no teto. Ele olhava despistada mente pra mim, eu ria e ele não entendia os motivos. Chegamos à recepção.
“Recepcionista: Qual o quarto que o casal vai querer?”. Confesso, me irritei um pouco, ela era inexperiente ou o quê? Dava pra ver que não éramos um casal, seria apenas sexo e depois nem iria lembrar o seu nome, na verdade eu não sabia o nome dele. Ele não respondeu, ele não deveria transar muito. Indago: “Suíte, por favor.” Ele me olha e pergunta se é o mais caro, e eu digo que o que tem mais conforto, homens sempre se preocupando com o preço, mas o problema não era o dinheiro
— Eu pago, relaxa — Eu disse a ele. Subindo as escadas começamos a ficar mais quentes, seu beijo era doce, calmo, ele parecia fazer com sentimento e isso que me instigou. Como pode fazer com tanto carinho com uma estranha? Na escada eu o fiz ter o primeiro orgasmo, sexo oral. Ele me fez elogios, disse que eu tinha uma boca quente. Ele não foi o primeiro, mas, por favor, sem julgamentos. Não sou vadia por fazer sexo com alguém livre. Cama redonda, espelho no teto. Adoro esse cheiro de sexo, é tão cafajeste. Ele ficou admirado com o banheiro, tolo. Deveria ser a primeira vez em um motel, e quem sabe a primeira vez com uma mulher. Ele me disse que tinha que me confessar uma coisa. Eu achei que era alguma doença venérea que ele tinha, e se fosse isso o filho da puta ia pagar caro, ou pior que isso era um assalto, apesar de que eu adoraria ser assaltada em um motel, ele poderia me roubar tudo menos a minha virgindade. Então ele diz :
— Eu sou virgem.
Paro, sento e respiro. — Não pode ser, sério?
— Sim, algum problema?
Droga, um virgem ali na minha frente e eu de cinta liga vermelha, por favor Deus, por que eu?
— Não, nenhum…
Tudo bem, eu sou uma boa atriz, deve ser o curso de teatro que eu fazia. Na verdade não estava tudo bem, eu nunca fiquei com um virgem. Me senti um homem iniciando uma garotinha.
— Mesmo?
— Não!
Meu ponto forte sempre foi a sinceridade.
— Quer que eu vá embora?
Deu-me pena, ele estava recolhendo as coisas. Constrangido ele estava, eu não podia fazer isso, ele era da minha idade e ainda virgem, o problema não é ele ser virgem, mas sim eu expulsa-lo do quarto e acabar com auto-estima dele.
— Tá louco? Vai a lugar algum… Fica aí. Mas me diz, qual é teu nome?
— Eduardo… E o seu?
— Lorena.
Sentei-me do lado dele, ele cheirava bem. Sua barba falha, na luz da boate eu não pude enxergar direito a sua beleza. Ele era lindo, sorriso imperfeito, porem perfeito, sabe? Ele me encantou desde o beijo até a virgindade.
— Nome da minha mãe.
— Cara… Não precisa usar essa cantada agora.
— Não é cantada, é o nome dela — Disse pegando a carteira para me mostrar a identidade.
— Desculpa, é que geralmente usam essa cantada.
— Não sou homem de usar cantadas.
Nesse instante vi que ele não era mais um moleque, era homem. Eu fui para transar, mas eu queria conhecer mais dele e modéstia parte aposto que ele queria conhecer mais de mim, aposto que ele queria saber.
— Desculpa.
— Não se desculpe Lorena.
— Quer beber alguma coisa?
— Cerveja.
Odeio cerveja, odeio. Tem um gosto forte, prefiro bebidas destiladas. Mas eu não poderia mandar nele, e no que ele queria beber.
— Trabalha com o que?
— Formei em direito, ainda não tenho emprego. E você?
Moleque! Eu não me engano. Me deu um tesão imaginá-lo de terno e gravata. Deu-me tesão imaginar ele assumindo um caso, defendendo algum criminoso. Eu queria transar.
— Escritora.
— Romances?
— Erotismo — Disse com ar sarcástico, queria que ele entendesse que eu queria ter ele.
— Vai escrever sobre essa noite?
— Não faço biografia sobre o sexo que eu faço.
Ele teve uma idéia boa, eu nunca havia pensado em escrever sobre o sexo que eu fazia, o sexo que eu conhecia. Sempre escrevi sobre historias nas quais nunca participei.
— Eu te achei muito linda.
— Eu te achei muito gostoso.
— Eu preciso dizer mais alguma coisa?
Caramba, o que falta mais? Ele falar que tem alguma doença terminal, ou algo do tipo?
— Eu tenho câncer.
Maldita boca, eu extasiada fiquei. Virgem, lindo e com câncer? Droga. Que Deus me perdoe, mas por que eu?
— Desculpa, é que eu não sei o que falar… Você me parece tão saudável.
— É o que todos acham. Vamos transar? Eu posso morrer semana que vem…
Nesse momento eu parei de respirar, meu coração acelerou mais rápido, pode parecer idiotice, mas ele havia me escolhido para ter uma transa, ele era virgem e poderia morrer e eu fui a escolhida. Não irei me tornar uma heroína, mas é algo nobre.
— Posso perguntar algumas coisas?
— Claro…
— Por que ainda é virgem?
— Eu namorei uma mulher a minha vida toda, ela disse que transaria só depois do casamento, mas quando descobriu que eu estava doente terminamos, ela disse que não era enfermeira.
Depois eu que era a vadia? Ela perdeu um doce de pessoa. Eduardo cada vez mais me encantava. Cada vez mais me envolvia em seus olhos azuis piscina.
— Vadia — Disse sem querer.
— Quem?
— Desculpa, mas a sua ex-namorada.
— Verdade — Ele riu.
Rimos por um minuto e nos calamos por cinco. Era louca essa situação, nem em meus livros teve uma historia de tamanha surpresa.
— Então…
Ele se aproximou de mim, sua mão estava tremula. Ele estava cada vez mais lindo pra mim. Ele pegou em minha nuca me levou até sua boca, eu subi sobre ele, fui tirando sua camisa, ele estava confuso com o que fazer, eu estava me entregando por encantamento, não era só sexo mais. Camisinha, ele estava em mim. Movimentos sutis, ele ficava lindo tendo orgasmo. Deitamos na cama novamente, eu deitado sobre seu peito.
— Você é linda.
— Você já disse isso — Ria.
— Não me canso de repetir.
— Para…
— Com o quê?
— De me fazer apaixonar por você…
— Por um desconhecido? Um que pode morrer? Você se apaixonaria?
— Não só apaixonaria, como estou.
Ele me segurou firme, olhando dentro de meus olhos. Eu estava me envolvendo, estava querendo cuidá-lo.
— Você fica cada vez mais linda — Riu.
— Você me encanta cada vez mais.
— Como fui por ser uma primeira vez? Quem sabe última…
— Não diga que será a última, ainda temos algumas horas aqui. Você foi excelente.
Ele voltou a me beijar, agora ele se sentia mais seguro pra tomar conta da ação, eu gosto assim, prefiro que tomem conta da ação. Mãos grandes, tudo nele era grande. Era um perfeito amante e deveria ser um ótimo amor.
— Você fica cada vez mais linda.
— Você fica cada vez melhor no sexo.
— Eu ainda irei te ver?
— Como assim?
Nunca fiz isso, nunca tive um contato com os meus desconhecidos… Mas ele não era mais um desconhecido, ele se chamava Eduardo, sua mãe Lorena e ele têm câncer.
— Não sei, acho que me apaixonei. Você é doce.
— Não sou doce, amarga seria um adjetivo melhor.
— Não, seus olhos, eles são doces. Sua boca, suas palavras. Se fosse pra ter alguém até o dia de minha morte seria você. Você ficaria comigo até eu morrer?
Eu não sabia o que falar. Poderia isso? Poderia surgir uma paixão assim? Não era amor, mas era forte. Uma única noite, apenas para sexo e eu acabo encontrando o homem mais doce.
— E se você não morrer?
— Daí você pode ir embora…
— E se eu não quiser?
— Você fica.
Não gosto de me iludir, mas agora eu queria que ele vivesse, não que eu quisesse a morte dele, mas eu queria que ele vivesse pra ver até onde iríamos. Droga, o sexo virou amor.”
“Você precisa fazer alguma coisa, as pessoas dizem. Qualquer coisa, por favor, as pessoas dizem. O que não dá é pra ficar assim. Nem que seja piorar, nem que seja enlouquecer. Olho o rosto das pessoas. Tem os ossos, dai tem a parte de dentro. Tem os olhos e tem o fundo dos olhos. Da boca saem esses sons. De repente alguém encosta em mim. Pra perguntar com o quentinho da mão se estou ouvindo e entendendo. Sorrio e torço pra pessoa ir embora. Torço pra alguém chegar, só pra torcer bem pouquinho por algo. Mas dai a pessoa começa a falar e torço pra pessoa ir embora. Não tem o que fazer, não tem o que dizer, não tem o que sentir. Sou uma ferida fechada. Sou uma hemorragia estancada. Tenho medo de deixar sair uma letra ou um som e, de repente, desmoronar.Quando toca uma música bonita, minha ironia assovia mais alto. Um assovio sem melodia. Um assovio mecânico mas cuidadoso, como tomar banho ou colocar meias. Outro dia tentei chorar. Outro dia tentei abraçar meu travesseiro. Não acontece nada. Eu não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que isso que sinto. Tentei falar. Convidei uma amiga pra jantar e tentei falar. Fiquei rouca, enjoada, até que a voz foi embora. Tentei aceitar o abraço da minha amiga, mas minha mão não conseguiu tocar nas costas dela. Não consigo ficar triste porque ficar triste é menos do que eu estou. Não consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei. Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitário do outro lado de mim.Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos.Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa. Forço um pouco e penso que o nome é morte. Me sinto morta. Sinto o mundo morto. Mas se forço um pouco mais, tentando escrever o mais verdadeiramente possível, percebo que mesmo morte é muito pouco. Eu sem nome você. Eu sem nome nós. Eu sem nome o tempo todo. Eu sem nome profundamente. Eu sem nome pra sempre.”
— Sem nome, Tati Bernardi (via
amargar)
Mas eu lembro que você prometeu nunca me deixar. Você prometeu, cara.
“
Porque as mulheres viram lésbicas.
Algum dia da sua vida, pode ser numa tarde sentada na frente da biblioteca pública ou em uma daquelas micaretas de carnaval, a mulher encontra o homem perfeito. Alto, cabelo perfeitamente arrumado e lábios deliciosamente beijáveis. E como se fizesse parte de uma daquelas cenas de alguma comédia romântica, os dois simplesmente ficam juntos e começam a construir aquilo que muitos chamam de “vida a dois”. Mas aí ela se irrita com uma ligação não atendida por puro orgulho dele em admitir que também estava em casa sentado no sofá pensando nela. Ela se chateia com aquela maldita mensagem de bom dia que ele nunca responde mas que sempre manda uma de boa tarde com aquele “eu te amo” no final querendo amolecer o coração dela. Ela implica com os horários dele, com os amigos dele, ela implica com ele e essa mania de querer ser solteiro, quando na verdade eles estão juntos. A mulher não gosta disso não, de homem fracote que não assume o relacionamento e quer dar uma de pegador na balada às dez horas da noite, justo a hora que eles iam jantar juntos e comemorar seis meses de namoro. Ela briga com ele, ele grita com ela, ela chora por ele, ele pede desculpas mas no dia seguinte faz a mesma coisa, e até pior, dependendo do nível de álcool no seu organismo. Ele era perfeito, mas era quando queria levar a coitada pra cama, porque depois disso só soube gritar e dizer o quanto ela é grudenta e insistente pra certos assuntos, como por exemplo casar. Casar? Com ela? Ah não, não mesmo. Ela não sabe o que ele pensa sobre o assunto, mas acha que por estarem a tanto tempo juntos, ele se sinta como ela. Mas não, ele não se sente tão assim, porque na maioria das vezes ele mente pra evitar briga porque quer ir logo pra cama. Então o tal homem/cara resolve que tudo bem, aquela mulher é linda e gostosa, mas é irritante controlada e incansavelmente sensível mais da metade do mês. Aí ele (o homem perfeito da boca perfeita do beijo gostoso) chega na mulher e diz que acabou, que já era e que foi bom enquanto durou. Olha só que engraçado, o homem perfeito, que ela amou até mesmo quando não deveria amá-lo, disse que aquilo que eles construíram com tanto carinho e amor, acabou e não tem mais volta. E pronto. Ploft. Pá. A mulher chora, e chora porque toda mulher sempre chora quando um relacionamento acaba e relacionamentos com homens perfeitos não podem acabar assim, com ele te mandando embora e você saindo pela porta com sua escova de dente e sua capa de travesseiro. Mas é verdade, é crueldade, eu acho, mas deve ser mesmo, porque mulher não nasceu pra sofrer, muito menos pra chorar por causa de homem, então é aquela famosa frase que todo mundo diz quando quer dar uma de sábio e não sabe como, “os justos pagam pelos pecadores”. E é verdade, a mais pura verdade, se algum dia, em algum momento, a mulher for traída/enganada/magoada por um homem, um único homem, ela simplesmente vai gritar pra quem quiser ouvir que homem é tudo igual, canalha safado cachorro sem vergonha traíra e vagabundo. Toda vez que algum cara mais interessante e mais bonito disser que quer algo com ela, ela vai dizer que “não, obrigada”, ela está muito bem sozinha e muito satisfeita na companhia das amigas e daquela tequila. Aí que começa o problema (ou talvez, em muitos casos, a solução). Quando a mulher começa a valorizar demais as amigas e a bebida, ela tá se tornando um macho sem perceber. Ela começa a perceber que homens nunca dão futuro e que as amigas, olha só que interessante, são ótimas companheiras e a entendem como ninguém quando está de TPM. A amiga sabe o quanto é terrível quebrar uma unha, e o quanto mais terrível ainda é perder um brinco, um anel e uma presilha de cabelo. Porque homem não sabe nada disso, homem, ah, homem só sabe a largura da vagina e o tamanho do seu pênis. Quer dizer, não todos os homens, só aquele que magoou a coitadinha e que ela cismou que todos são assim e que todos vão magoá-la do mesmo jeito, e talvez até pior. Então, como se fosse uma equação matemática, a mulher começa a admirar bundas e peitos, mais do que pênis e tórax. É automático, é como se virar lésbica fosse um alavanca anti-suicídio em caso de coração partido por homem safado. Mulher não nasce lésbica (não todas), a maioria só percebe o quanto a vida pode ser mais prazerosa ao lado de gente que entende ela enquanto os homens só pensam em sexo, sexo e sexo. Mulher vira lésbica porque prefere sofrer preconceito à ter o coração partido por um filho da puta qualquer.
”

diario-de-uma-rockeira:
A tristeza vem chegando, a vontade de sumir também… Queria entender o porque de tanto sofrimento, varioz anos sofrendo pela mesma pessoa… Dizem que sofrimento traz aprendizado, será mesmo? Quatro anos cometendo o mesmo erro, dando um milhão de segundas chances, fazendo meu coração de tapete para um outro alguém pisar…eu queria mesmo era voltar sorrir, eu queria mesmo não ver você como único e exclusivo motivo para sorrir .(diario-de-uma-rockeira)

smallimperfections:
Quer saber mesmo a verdade? Não, eu não estou bem, e eu pensei que você podia pelo menos perceber isso, sabe aquele sorriso que estava estampado no meu rosto hoje de manhã? Então, também não era verdadeiro. Sabe aquelas milhares de vezes que você me chamou de idiota, retardada? Então, as vezes fico daquele jeito para fugir um pouco da realidade. E sabe o que mais? Mesmo assim, a sociedade continua julgando, mesmo não tendo a mínima ideia do que se passa aqui dentro, mesmo não tendo ideia do quanto que ela pode machucar com suas palavras ditas sem pensar. Então a partir de agora decidi me tornar outra pessoa, sim a menina que morria de medo de mudanças está mudando completamente, não sei se para melhor ou para pior aos olhos dos outros, mas para ela vai ser melhor. E a partir de agora, aquela garota que se machucava facilmente com palavras, que se iludia só com um “oi”. Esta se tornando uma garota fria, que duvida sempre dos sentimentos dos outros, talvez porque ela já tenha acreditado demais, talvez porque já tenha se machucado muito, não sei exatamente, só sei que aquela garota que você conhecia, ou achava que conhecia, não é mais a mesma, e provavelmente nunca mais vai ser.
(smallimperfections)

carrossel-florido:
Pode tirar a coroa princesa, seu brilho apaga o dela. Pode tirar essa armadura também, o que tinha que passar passou. Alguns ferimentos vão voltar a doer uma hora ou outra, é inevitável que não tenha se protegido completamente. Pra que tanta proteção, foi apenas mais uma noite. Algumas palavras, algumas lágrimas… algum amor que se perdeu por aí. Mas já passou. Não adianta nem jurar que não vai acontecer de novo porque vai. Logo você, com esse coração mole. Logo logo se apaixona de novo e vai viver a mesma história mudando apenas os personagens. Esse sorriso tem que sair uma hora, ele é lindo e irradiante mas as lágrimas precisam sair, estão entupidas de tanto orgulho. Você é assim, orgulhosa e egoísta de mais quando se trata de um assunto que considera inteiramente seu. Levanta dessa cadeira e deixa de ser preguiçosa. O que é seu tá aí, pega de uma vez. Não cruza os braço e espera que venha até você. Essa sua armadura de confiante pesa demais. Dê um tempo pra esse frágil coração, que devia ter vindo embalado naquelas caixas que vem escrito de todo tamanho “cuidado, produto frágil, danos irreparáveis”. Mas não, a teimosia é tanta que a cada tropeço o coração leva a dor equivalente a várias pancadas. A teimosia é tamanha que faz tudo pros outros. Coloca tudo à frente, tranca as dores à sete chaves. Serve também de cofre para as dores alheias, um dos seus trabalhos mais dignos, sai recolhendo tudo, guarda e deixa que a mate aos poucos. Ah princesa, já tá na hora de você mudar os hábitos e tornar rainha. Quem sabe assim governa esse reino chamado Coração direito? Ninguém precisa desse teatro não, muda o roteiro. Já está meio clichê esse papo de mocinha que perde o amor da sua vida mas depois de tanta confusão acredita que vai viver feliz para sempre com aquele que esnobou. Não dê uma de escritora de novela, sai arrancando página por página, arruma a postura e escreve direito. Deixa alguns erros e arrependimentos nessa maluquice. Mas não perde a essência não princesa, essa essência que enlouquece a você própria. Mantenha parte dela aí.- Izabella Mine (flores-deoutrora) - Tira essa vestimenta de princesa e vira rainha
“As pessoas têm esse costume de entrar em nossas vidas, fazer uma reviravolta, fazer crescer um sentimento e com o tempo elas somem e não nos deixam uma carta, ou ao menos nos dizem o motivo de seu afastamento. Vejo pessoas que disseram estar comigo sempre, pessoas que diziam serem meus amigos, e hoje nos tornamos novos desconhecidos. Passam do meu lado, me olham e finge não me conhecer. Tenho vontade de parar essas pessoas no meio da rua e falar “Ei lembra-se de mim? Você prometeu estar comigo sempre”. Mas as pessoas não se importariam com isso, não se importariam com meus sentimentos. É sempre assim, você acredita, confia e as pessoas te apunhalam pelas costas. Eu estou apenas cansada disso sabe? Parece que o tempo que eu a essas pessoas passamos juntos não significou nada, e saber disso dói muito. Sei lá, pelo que parece eu não faço diferença na vida de ninguém. Só sei que a partir de agora as pessoas vão demorar pra conseguir conquistar a minha confiança.”

mentiras-dos-garotos:
E eu te esperei, mesmo sabendo que você não voltaria mais. homicidio-planejado
“Sei que você deve estar mais feliz. Eu nunca fui a melhor pessoa pra você. Na verdade, eu sempre estive bem longe disso. Eu deixei você me guardar com uma lembrança. Eu abri mão. Eu não lutei por você. Eu tenho a péssima mania de acabar com tudo… E acabei com nós dois. Agora é só você, eu, longes, sós. Eu tinha a sensação de que nunca te veria tão longe de mim. Que eu seria tão ausente de você. Na verdade, todas as gavetas do meu coração estão ocupadas. Cheias de lembranças, de saudade. Cheias de você. Meu coração ainda bate forte quando ouço seu nome. Ainda lembro do seu sorriso amarelo. Lembro bem da sua voz, como ela é o som mais lindo que eu já ouvi. O seu cabelo, em como bagunçá-lo era minha maior diversão. Seus olhares, encantantes. Tudo em você. (…) Eu te perdi. Mas ainda te procuro nos meus sonhos. Durmo só pra te encontar.”

Saudade. A maior prova de que tudo valeu a pena, que tudo foi real, e que tudo passou. cartas-rasgadas